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sábado, 26 de setembro de 2009

Os Amigos

Para Jotta Leitão

OS AMIGOS

Amigos, cento e dez, e talvez mais,
Eu já contei. Vaidades que eu sentia!
Supus que sobre a terra não havia
Mais ditoso mortal entre os mortais.

Amigos cento e dez, tão serviçais,
Tão zelosos das leis da cortesia,
Que eu, já farto de os ver, me escapulia
Às suas curvaturas vertebrais.

Um dia adoeci profundamente.
Ceguei. Dos cento e dez houve um somente
Que não desfez os laços quase rotos.

- Que vamos nós (diziam) lá fazer?
Se ele está cego, não nos pode ver...
Que cento e nove impávidos marotos!



O meu presente para ti
NelaCurado

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6 Comentários:

Anonymous Anónimo disse...

Obrigado Nela!

"Endureçamos a bondade, amigos. Ela também é bondosa, a cutilada que faz saltar a roedura e os bichos: também é bondosa a chama nas selvas incendiadas para que os arados bondosos fendam a terra.
Endureçamos a nossa bondade, amigos. Já não há pusilânime de olhos aguados e palavras brandas, já não há cretino de intenção subterrânea e gesto condescendente que não leve a bondade, por vós outorgada, como uma porta fechada a toda a penetração do nosso exame. Reparai que necessitamos que se chamem bons aos de coração recto, e aos não flexíveis e submissos.
Reparai que a palavra se vai tornando acolhedora das mais vis cumplicidades, e confessai que a bondade das vossas palavras foi sempre - ou quase sempre - mentirosa. Alguma vez temos de deixar de mentir, porque, no fim de contas, só de nós dependemos, e mortificamo-nos constantemente a sós com a nossa falsidade, vivendo assim encerrados em nós próprios entre as paredes da nossa estuta estupidez.
Os bons serão os que mais depressa se libertarem desta mentira pavorosa e souberem dizer a sua bondade endurecida contra todo aquele que a merecer. Bondade que se move, não com alguém, mas contra alguém. Bondade que não agride nem lambe, mas que desentranha e luta porque é a própria arma da vida.
E, assim, só se chamarão bons os de coração recto, os não flexíveis, os insubmissos, os melhores. Reinvindicarão a bondade apodrecida por tanta baixeza, serão o braço da vida e os ricos de espírito. E deles, só deles, será o reino da terra."

Pablo Neruda, in "Nasci para Nascer"

10:56 da manhã  
Anonymous Anónimo disse...

Não sei qual melhor....se o texto, se o comentário...a minha mana e o meu primo....fica tudo em família....

3:01 da tarde  
Blogger cota13 disse...

Lindo.
Um Abraço.
Tonito.

10:26 da tarde  
Blogger RI-RI disse...

AAAAAAAAAAAAAAAIIIIIIIIIIIIII!!!!!

11:09 da tarde  
Blogger quito disse...

Nela
Estavas inspirada!!!
Leitão
Texto bem escolhido e oportuno...
Mais uma vez parabéns...

11:43 da tarde  
Blogger Manuela Curado disse...

Quito
Inspiração não me faltou ao olhar este meu amigo que tanto aprecio.
Contudo... poetisa não sou.
Socorri-me, pois, do nosso romântico do sec. XIX, Camilo Castelo Branco.

8:25 da manhã  

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